Três GCMs de Caraguatatuba presos por tortura contra moradora
Três agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de Caraguatatuba foram presos preventivamente no sábado (22) após investigação da Polícia Civil, com parecer favorável do Ministério Público de São Paulo. Os guardas são suspeitos de tortura física e psicológica durante uma abordagem irregular, documentada em vídeo vazado. Na gravação, uma mulher é xingada enquanto os agentes fazem uma ligação de vídeo para terceiros. Durante a chamada, a vítima é questionada sobre suposto tráfico de drogas em diferentes bairros da cidade e obrigada a receber um tapa por um dos guardas. Em seguida, um dos suspeitos ameaça praticar violência sexual contra a jovem. A abordagem também sugere o envolvimento dos GCMs no crime, segundo a investigação. A Prefeitura de Caraguatatuba informou que, ao tomar conhecimento dos fatos, adotou medidas administrativas, incluindo exoneração de cargos comissionados e afastamento preventivo do servidor efetivo, além de instaurar processo administrativo disciplinar. A gestão municipal afirmou não compactuar com condutas irregulares de agentes públicos e destacou que situações como essa são tratadas com seriedade e apuradas pelos meios legais. Paralelamente, a Polícia Civil continua a investigação para apurar as circunstâncias do caso. A prisão temporária dos GCMs tem validade de 30 dias. O episódio reforça críticas recorrentes à atuação da Guarda Civil Metropolitana em bairros periféricos de Caraguatatuba, onde moradores relatam abordagens violentas e falta de fiscalização adequada. Em bairros como Alto Bela Vista, Pariquera e Santo Antônio, a população convive com problemas estruturais, como drenagem precária, falta de saneamento e ausência de políticas públicas efetivas. A gestão atual, comandada pelo prefeito Mateus Silva, enfrenta cobranças por melhorias na segurança pública, especialmente após casos de abuso por agentes municipais. A prisão dos GCMs ocorre em um contexto de tensão política na cidade. O prefeito Mateus Silva, eleito em 2024 com 37,26% dos votos, é filho do ex-prefeito Antonio Carlos da Silva, figura central no cenário político local. Antonio Carlos, impedido de disputar novos pleitos por condenações judiciais, atuou como articulador da campanha do filho. Críticos, como o ex-prefeito Aguilar Júnior, acusam a atual gestão de usar a 'herança caótica' do passado para justificar a falta de resultados concretos em áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Redação Tv Com Litoral
Imagens: Divulgação